Morte e chuva Severina
Os minutos que antecedem a chuva em um dia quente parecem
ser os mais sufocantes. Sentimos não ser possível esquentar para além disso e
já esperamos, de alguma forma, que em breve o tempo mudará. E muda. O vento fica
mais forte, o cheirinho de terra acentuado e, dentro de instantes, o alívio. O
ar ameno nos abraça, a casa escurece, corremos para tirar as roupas estendidas,
fechamos algumas janelas; a chuva cai e com sua queda nos ensina.
Na perspectiva do que é eterno, a vida é esse instante que antecede o que não conhecemos, mas sentimos. Tudo é uma preparação que acha na morte a possibilidade de existir: pra sempre, de outras formas, ou simplesmente de adentrar este país misterioso que inspirou o tão conhecido monólogo shakespeariano. Talvez por isso a morte seja para mim o grande tema da minha vida. É para ela que caminho e será através dela que chegarei a algum lugar assim que este cumprir comigo o seu propósito. Percebo, assim, na chuva e na morte a linguagem simbólica da transformação.
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