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Mostrando postagens de setembro, 2023

Uma quase morte, o balão de luva descartável e o suco de acerola

    Aos cinco anos vivi uma experiência de quase morte. Lembro-me com clareza do dia, em um final de semana, que estava com minhas tias, como de costume, enquanto minha mãe trabalhava. Naquela época, a convivência entre os jovens ainda existia para além das redes sociais e minhas tias – jovens e com os hormônios à flor da pele – aproveitaram para passear nas praças do bairro, local onde a garotada se reunia para paquerar. Como elas deveriam cuidar de mim, fui obrigada a participar deste ritual de iniciação mesmo ainda não estando preparada para ele. Mas algo nesse dia, além da própria situação, não estava muito bem e uma dor muito forte no pé da barriga me incomodava. Essa dor me fazia caminhar com dificuldades, mas caminhar era justamente o que minhas tias queriam. Assim, fui arrastada pelas ruas do Sol Poente até que não aguentei mais e comecei a chorar. Sim, a primeira impressão dessa cena foi a de que eu era uma criança mimada e estava fazendo birra para simplesmente volta...

Happiness is a butterfly

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Desde muito cedo existe em mim uma força que me arrasta com ela e que, ouso dizer, me comanda por sua intensidade arrasadora. É verdade que ao longo dos anos aprendemos a lidar com nossos demônios, mas com alguns deles passamos a vida toda em uma arena de guerra. E aqui está a minha.  É com essa força que piso no campo minado como se estivesse caminhando pela avenida mais segura do mundo; não por coragem - acredito - mas por pura inconsequência e incapacidade, real ou inventada, de ser diferente. Lá vou eu, mais uma vez me jogando em tudo que meu coração não suporta observar à distância. Não, ele precisa da queda para provar sabe-se lá o quê.  No amor, sou como uma criança que acabou de ganhar um presente e não se cansa dele por dias. Obcecada, o desenho sempre em reprise. O problema é que comigo esses dias não terminam: sou assim desde o primeiro "oi" até o último beijo naquela rua fria, em uma cidade igualmente fria e hostil, às 6:50 da manhã que cristalizou, selou com chav...

Veja, tudo se fez novo

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Naquele domingo, o último do mês, as férias haviam acabado e estava pronta para recomeçar. A melancolia desse dia parecia a mesma, tão conhecida minha, ainda que alguma coisa me dissesse que não era igual. Por forças e meios que vão além de mim e que só você e eu saberemos até que a vida acabe e depois dela, por forças do universo conspirando para o bem, você chegou. Já era tarde, ou talvez tarde para mim que durmo – como dizem – com as galinhas. Era tarde e o sono não vinha; descansou de mim, deixou-me ser feliz enquanto eu assim quisesse. Você chegou e algo mudou. Quando a chave do portão girou duas vezes, seu carro parou e o meu coração também. Há algo de mágico em primeiros encontros, pois eles são sempre lembrados como o início de histórias, boas ou más, e histórias são sempre mágicas, pois fazem parte de quem somos. Que olhinhos curiosos, pensei. Eles me olhavam querendo me descobrir, de todas as formas, e isso me causou um sentimento tão gostoso. Talvez fosse vaidade de mu...