Happiness is a butterfly
Desde muito cedo existe em mim uma força que me arrasta com ela e que, ouso dizer, me comanda por sua intensidade arrasadora. É verdade que ao longo dos anos aprendemos a lidar com nossos demônios, mas com alguns deles passamos a vida toda em uma arena de guerra. E aqui está a minha.
É com essa força que piso no campo minado como se estivesse caminhando pela avenida mais segura do mundo; não por coragem - acredito - mas por pura inconsequência e incapacidade, real ou inventada, de ser diferente. Lá vou eu, mais uma vez me jogando em tudo que meu coração não suporta observar à distância. Não, ele precisa da queda para provar sabe-se lá o quê.
No amor, sou como uma criança que acabou de ganhar um presente e não se cansa dele por dias. Obcecada, o desenho sempre em reprise. O problema é que comigo esses dias não terminam: sou assim desde o primeiro "oi" até o último beijo naquela rua fria, em uma cidade igualmente fria e hostil, às 6:50 da manhã que cristalizou, selou com chave de ouro minha decepção comigo mesma.
Essa intensidade destrói tudo que não seja tão forte como ela, inclusive a mim. Sinta menos, queira menos, demonstre menos. A teoria gira na minha cabeça e brilha com a clareza de cristais, o problema é praticar isso quando o toque das mãos na minha cintura, o sexo que me deixa tonta e querendo a simbiose de dois corpos como quem junta o leite ao trigo na receita de bolo, quando guardo o cheiro, quando decoro o timbre da voz. Agora mesmo sinto saudades e quero observar como aqueles olhinhos olham de forma furtiva para o lado quando fala sobre algo despretensioso, mas que olham pra mim com toda a atenção quando me rendo de joelhos ao poder plutoniano da paixão. Até hoje não soube ser outra coisa diferente disso e nem sei se algum dia saberei. Eis, talvez, a grande missão da minha vida: aprender que o problema é meu e de ninguém mais. Os outros não têm a obrigação de serem assim e, eu sei, as coisas também não. Mas eu sou.

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