A vida segue, independente de nós.
O despertador tocou porque esquecemos de desligá-lo na noite anterior. Esse sinal, que marca um início de um novo dia em uma semana comum, não pôde ser eficiente daquela vez, pois não havia nada comum. Tudo em nós e naquele quarto era incomum. A vida lá fora começava, algum vizinho esquentava o motor da moto, enquanto uma velha no apartamento ao lado tossia como se não tivesse mais cura. Estava frio, e lembro de ter te olhado por alguns minutos em silêncio, como medo de que qualquer barulho que eu fizesse pudesse levar embora aquele momento e, principalmente, você. Seu rosto estava iluminado e todos aqueles pensamentos apaixonados passavam pela minha cabeça. É claro, eu quis que aquilo se repetisse por muitas manhãs dali para frente; sim, eu já queria isso quando escolhi sair da minha casa e da minha cidade para ir até você. Não sei ser casual, para mim a vida tem uma certa urgência de coisas contínuas. Você estava dormindo e então levantei para ir ao banheiro, pensando que tal...